2007-12-05

Natureza que nada! Salve as pessoas!

No último fim de semana fui assistir ao filme "A Última Hora (the 11th. hour)". Aí vai minha opinião, pros que por acaso se interessarem.

Gostei do filme. Acho que seu maior valor foi apontar algumas coisas que raramente vemos pessoas dizendo aos quatro ventos. Por exemplo, ninguém deve querer realmente salvar a natureza. Ainda que o homem desmate a Amazônia inteira e as calotas polares derretam, a natureza vai continuar existindo, e vai se recuperar! Nós queremos é manter o planeta habitável para nós mesmos, caramba!

Se alterarmos o comportamento da natureza de tal forma que ela se torne imprevisível (e isso é justamente o que o aquecimento global faz), vai ser muito difícil restar algum humano nesse planeta. Lembre-se de que em ambientes destruídos surgem as piores manifestações de que somos animais como qualquer outro: sofremos de epidemias terríveis e passamos a nos comportar de forma radicalmente selvagem (estupros, roubos, assassinatos...)

Então, ponto 1: salve a espécie humana. Para isso, conserve o restante da natureza.

Ponto 2

O segundo ponto tem a ver com energia. Nós gastamos mais energia do que a Terra recebe do sol.

A explicação: Nosso planeta sempre recebeu energia unicamente do sol. A energia do sol é convertida em várias outras formas de energia, tanto por seres vivos (nas cianobactérias e plantas: água + gás carbônico + luz = açúcar = energia) quanto por outros agentes (sol atrai a massa d'água dos oceanos -> maré sobe e desce [a lua também atua]). Por sorte nós temos gases que causam efeito estufa, porque eles conservam boa parte dessa energia na superfície do planeta, impedindo que essa energia simplesmente escape pro espaço.

Mas queimar petróleo é "trapaça". É gastar uma energia que não foi o sol que deu (pelo menos não recentemente). O resultado: um efeito estufa exagerado, que conserva muito calor aqui dentro do nosso planeta.

Relembrando o ponto 2: queimar combustível fóssil é "roubo".

Ponto 3

Reduzir o consumo de energia não significa vestir-se com pele de animais ou usar folhas para "esconder as vergonhas". Nós já temos tecnologia. Podemos reduzir o consumo construindo prédios mais eficientes no uso de energia, usando meios de transporte menos poluentes (quem me dera poder ir pro trabalho de bicicleta – mas metrô tá bom) e, quando não for possível reutilizar, reciclar tudo que for possível.

Ou seja, ponto 3: a tecnologia atual permite toda a redução de consumo energético de que precisamos. Ninguém precisa andar pelado ou dormir ao relento.

Ponto 4

Atualmente pagamos uma baba pela energia que algumas empresas extraem do (sub)solo. Ou seja, gastamos dinheiro para obter uma energia que é trapaça, como já vimos no ponto 2.

Se deixássemos de gastar esse dinheiro todo com extração e refino de petróleo e instalássemos captadores de energia limpa (que vem do sol, direta ou indiretamente) e renovável, como a eólica, a solar ou a de maré, por exemplo, teríamos um gasto muito menor a longo prazo. Isso significa mais dinheiro para gastarmos em:

  • Construção
  • Pesquisa e desenvolvimento de novas formas de energia
  • Serviços
  • O que mais quiséssemos

Em suma, ponto 4: trocar o petróleo por fontes limpas de energia é bomTM, e não ruim, para a economia.

O abandono dos gastos com extração e produção de petróleo não pioraria a economia; muito pelo contrário, melhorá-la-ia (apresento-lhes a mesóclise), pois colocaria mais dinheiro à disposição da criação de emprego e desenvolvimento econômico como um todo. (Nessa conclusão eu posso estar enganado, porque não entendo nada de economia. Mas no filme falaram isso, e fez sentido.) :)

Outros pontos interessantes

O filme é feito por americanos e para americanos. Até o meio do filme isso me deixou meio chateado. Mas aí eu percebi que os EUA, como centro da atual cultura de consumismo desenfreado – um ponto cuja relação com o aquecimento global o filme deixa bem claro –, responsável por algo como 25% do consumo mundial de energia, é também onde essa cultura contrária precisa surgir. Se eles próprios se convencerem de que precisam mudar, a exportação natural dessa nova cultura deles vai chegar a todos que contraíram o consumismo desenfreado da mesma forma.

E o Linux nisso?

  1. Trate com carinho a economia de energia em seus desktops, notebooks e servidores. Todo consumo inútil de energia é prejudicial.
  2. Só deixe seu computador ligado a noite inteira se for necessário.
  3. Já mencionei os recursos de economia de energia?
  4. ACPI, APM... Mesmo em desktops e servidores. Ah, já falei isso?
  5. Sou só eu ou alguém mais começou a achar o Gentoo agressivo ao meio ambiente?

2007-11-07

Outros usos para o desenvolvimento colaborativo

O paradigma do desenvolvimento colaborativo é provavelmente a principal inovação tecnológica surgida no final do século passado. Após surgir na área do desenvolvimento de software, foi necessário o florescimento da Internet como infra-estrutura para que ele alcançasse maior visibilidade e eficácia.

Agora, o desenvolvimento colaborativo já está instituído em seu berço, e as maiores empresas da área de tecnologia, como Google, Microsoft, Oracle, IBM, HP, para citar algumas, já o apóiam e utilizam em diferentes graus, mas com total compreensão de suas vantagens.

Fora do ambiente técnico, a Wikipédia é provavelmente o maior expoente desse novo modelo de criação. Com qualidade comparável à da venerável Enciclopédia Britannica, a Wikipédia é capaz de crescer bem mais rápido que qualquer publicação em papel, e suas correções são aplicadas com rapidez inigualável.

Então, após conquistar as áreas de desenvolvimento de programas e publicação de conhecimento, que outros usos podemos propor para o desenvolvimento colaborativo?

Para o bem de todos

Antes de começar a fazer sugestões, vejamos a real motivação dos programadores e wikipedistas em compartilhar suas criações. Não se trata de filantropia ou preocupação social (ao menos na maioria dos casos): trata-se de ter um produto final com qualidade e com o conteúdo que seus autores, usuários e leitores esperam.

Ao contribuir com algumas linhas de código para um programa, ou com algumas informações num verbete da Wikipédia, os autores esperam que outros também façam o mesmo. Assim, quando um wikipedista especialista em economia necessitar, por exemplo, de informações a respeito da história do Japão, poderá conferir as contribuições feitas por alguém que talvez venha a pesquisar a respeito do mercado de ações. Da mesma forma, alguém que escreve e compartilha um programa para exibir fotos digitais tem a possibilidade de usar um navegador Web desenvolvido de forma colaborativa, como o Firefox.

É verdade que qualquer pessoa pode usar o Firefox e procurar informações na Wikipédia, mesmo que jamais tenha contribuído com esses projetos. Porém, não imagine que isso enfraquece o desenvolvimento colaborativo. Muito pelo contrário. Como muito bem observa Cezar Taurion, executivo da IBM que se dedica ao estudo teórico do desenvolvimento colaborativo de software, o produto dessas colaborações sofre o efeito de rede[link em inglês], sob o qual o valor de um produto cresce exponencialmente com o número de usuários desse mesmo produto. Simplificando, poderíamos inferir que programas com grande número de usuários atraem mais desenvolvedores.

Um caso nacional

Agora talvez possamos responder a pergunta feita acima: que outros usos podemos propor para o desenvolvimento colaborativo?

Para não tornar este texto longo demais, sugiro logo minha resposta: o próprio desenvolvimento da nação.

Novamente lanço mão do exemplo dos softwares. Qual a melhor forma de implementar certa funcionalidade a um programa? Em programação sempre há mais de uma forma de se realizar uma mesma tarefa. Um programador pode escolher uma forma, que outro desenvolvedor logo percebe ser menos eficiente que uma segunda maneira, e faz as alterações necessárias (quando se trata de um programa cujo código-fonte é aberto). Um terceiro programador, com mais experiência, enxerga todo o problema por um ângulo distinto, e propõe uma forma radicalmente diferente – e ainda mais eficiente – para solucionar a questão.

Qual a solução para a fome no país? Com certeza há inúmeras formas de alimentar os famintos e solucionar esse problema, não somente no Brasil, como no mundo todo. E como podemos encontrar a melhor? Ou uma das melhores?

Minha primeira sugestão seria um wiki. Imagine o poder de uma população que sugere soluções e melhorias para seus próprios problemas através de um wiki. Independente de quem chegue ao poder, ou de seu partido, o wiki consolidaria todas as melhores formas para solucionarmos os problemas da nação. Nossos legisladores teriam informação de qualidade, garantida por nós mesmos, sobre os verdadeiros problemas que nos afligem, e quais as melhores maneiras para solucioná-los. Aqueles políticos que de fato resolvessem tais questões inevitavelmente figurariam no wiki, recebendo assim os méritos típicos do modelo colaborativo, e potencialmente garantindo-lhes votos nas próximas eleições.

Com as atenções de todo o eleitorado voltadas para o wiki, ele ganharia assim o recurso de palco de propaganda política verdadeira, ao mesmo tempo em que aumentaria o poder e a adoção das sugestões de melhorias nele contidas. Como se pode ver, o efeito de rede novamente entra em ação, e o valor das sugestões da população aumenta de acordo com o próprio número de propostas e políticos que as adotem.

A discussão política, econômica e social é importante, mesmo que não seja interessante. Mais um motivo para torná-la o mais aberta possível.

Outras sugestões são bem vindas. ;)

2007-10-02

Lado direito

O que pode ser tão difícil assim em ficar do lado direito? Não, sério, o que pode ser tão difícil assim?

Talvez eu seja um obsessivo total, e esse seja o motivo pelo qual eu sempre vou pro lado direito ao entrar numa escada rolante, dirigir na estrada ou até caminhar a pé pela calçada.

Mas eu acho que é falta de educação mesmo. E isso é um problema.

Eu costumo dizer que no Brasil ninguém ensina o valor dos processos. Pra mim, parece que ninguém sabe o que é um projeto. E eu acho que é esse um dos motivos do extremo imediatismo da nossa população.

Um processo é uma coisa (uau!, que linguajar técnico! :) ) que está em modificação, ou que causa alterações em objetos ou sistemas.

O processo "lado direito"

Como tenho usado muito o metrô, esse é o exemplo mais claro (e perturbante) na minha cabeça, e por isso vou usá-lo como exemplo aqui.

Podemos simplificar uma escada rolante como um meio onde há pessoas com pressa e pessoas sem pressa. Como pessoas com pressa e sem pressa podem compartilhar um mesmo meio, sem que as com pressa se atrasem e sem que as sem pressa se sintam pressionadas a ir mais rápido?

Separando o meio em dois. Se os com pressa e os sem pressa se misturarem, ganharão os sem pressa, porque, por definição, eles não vão se apressar por causa dos outros, enquanto os apressados acabam forçosamente retidos pelos sem pressa. Ou seja, um dos dois grupos é prejudicado.

Se os sem pressa combinarem de ficar do lado direito, paradinhos, conversando o quanto quiserem, enquanto a escada faz o esforço por eles, os apressados poderão passar livremente pelo lado esquero, sem atrapalhar ninguém nem ser prejudicados.

A falta de compreensão de processo, nesse caso, é dos sem pressa, porque se recusam a se organizar para dividir harmoniosamente o espaço com os apressados. Com isso, eles geram raiva e insatisfação, piorando a qualidade de vida do próximo. Com várias pessoas chateadas, certamente a qualidade de vida média da população é reduzida, o que significa que você, ao interagir com qualquer pessoa, sentirá esses sintomas.

No trânsito temos vários outros exemplos de incompreensão de processos. Motoristas dirigindo pelo acostamento, na estrada congestionada, simplesmente não entendem que, ao furarem fila, vão piorar ainda mais a situação como um todo: se o trânsito já não anda com um carro por faixa, n+1 carros pra n faixas certamente será muito pior.

Pedido

Então, fica aqui uma sugestão: antes de agir, pense num prazo mais longo que o próximo segundo. Você pode estar piorando a sua própria qualidade de vida.

2007-09-20

emerge? pmerge!

Que a árvore de pacotes do Portage é excelente, eu não tenho a menor dúvida. Mas uma coisa é certa: sempre fico com inveja quando vejo alguém pegar um Debian/Ubuntu ultra-desatualizado e dar um apt-get update && apt-get dist-upgrade muito, mas muito mais rápido do que seus equivalentes gentooístas, emerge sync && emerge -uD world. Na verdade, o comando inteiro com apt-get ainda roda muito mais rápido que um simples emerge -uvp world.

É verdade, esses comandos não são usados todo dia, então não deveriam causar esse tipo de reação. Mas acho que isso é lento demais.

Felizmente não estou sozinho. O pkgcore está disponível na árvore do Portage, e é uma das duas alternativas ao emerge mais "famosas" (a outra é o Paludis).

Quem se interessar pode seguir a reconhecidamente excelente documentação do Gentoo para começar a usar o Pkgcore.

E se alguém precisar de mais um empurrãozinho, aí vão alguns tempos de execução no meu laptop:

feanor ~ # time ( emerge -up world >/dev/null )

real    0m4.110s
user    0m3.792s
sys     0m0.191s

feanor ~ # time ( emerge -up world >/dev/null )

real    0m3.847s
user    0m3.607s
sys     0m0.202s

feanor ~ # time ( pmerge -up world >/dev/null )

real    0m4.681s
user    0m0.568s
sys     0m0.106s

feanor ~ # time ( pmerge -up world >/dev/null )

real    0m0.216s
user    0m0.162s
sys     0m0.054s

O que se percebe aí é que a primeira rodada do emerge ou pmerge é lenta. Igualmente lenta, infelizmente. Mas a partir da segunda (desde que não se tenha rodado um emerge sync no meio do caminho), o pmerge é muito mais rápido.

É, esse exemplo não foi muito bom. Mas o fato é que o pkgcore dá um certo banho no emerge, e a sintaxe dos comandos é quase sempre igual.

Eu recomendo!

iwlwifi facinho, facinho

Você tem uma placa de rede sem fio Intel ipw3945? Então provavelmente você sabe que o driver ipw3945, de autoria da própria Intel, tem alguns problemas conhecidos, como freqüentes falhas para autenticar com WPA-PSK e WPA2-PSK.

Bom, eu sofri bastante com essas falhas, porque queria realmente usar minha rede sem fio no meu notebook Clevo, e sempre que tinha alguma parede entre a máquina e o roteador ele não autenticava nem por decreto.

Boa notícia! A falha era no microcódigo, ou no tal do daemon regulatório obrigatório (é, é um driver em 3 partes, maior loucura...). E a Intel está desenvolvendo um novo driver, chamado iwlwifi, e naturalmente já disponível no Gentoo.

Instalei o driver novo (deu um certo trabalho) e consegui fazer funcionar. Maravilha.

Mais uma boa notícia pros preguiçosos! O kernel sempre experimental do Andrew Morton (árvore -mm) já traz o driver.

Então, pra quem tiver uma boa distribuição, é só emerge mm-sources.

Bom emerge. ;)

Virt-manager tá no Portage

Luciano, essa é pra você! :)

Vivo reclamando do Gentoo, né? Pois lembrei de um importante motivo pra amar essa bela distribuição (ou meta-distribuição): tem pacote pra caramba! Olha só:

Ah, slackware...

2007-09-17

(Sabayon/Gentoo = Ubuntu/Debian)?

O título deste post é uma pergunta. E é das simples: O Sabayon está para o Gentoo assim como o Ubuntu está para o Debian?

Explico. O Debian já foi chamado de meta-distribuição. Inegavelmente, o Debian tem um escopo bem mais amplo que o Ubuntu. Tá bom, existe o Ubuntu Server. Ok, mas o Debian ainda é mais flexível. Ou, se preferir, mais cru. Tem gente que gosta de distro crua, e tem gente que prefere as já prontas.

Voltando à pergunta, a relação entre Ubuntu e Debian, portanto, é de distribuição-base (Debian) e distribuição baseada (e pronta) (Ubuntu). No compiloso mundo do Gentoo, até agora a única distro a fazer barulho quanto a sua descendência e ter sucesso é o Sabayon.

O Sabayon tem tudo pra estourar como uma distro derivada do Gentoo, retrocompatível, e plenamente voltada ao usuário (final) de desktop. Então, acho que os desenvolvedores de ambas deviam conversar mais pragmaticamente sobre o assunto, de forma a beneficiá-las mais do que tem ocorrido no estado atual das coisas.

.

2007-07-09

Meu mix ideal de sistemas de arquivos

Fatos sobre sistemas de arquivos:

  • XFS é rápido e ultra-seguro
  • XFS é especialmente rápido com arquivos grandes (1 MB ou maiores), e um tanto lento com arquivos pequenos
  • A velocidade do ReiserFS é imbatível ao manipular diretórios lotados de arquivos pequenos
  • Já tive sérios problemas de perda de dados espontânea com ReiserFS, e não uso mais esse sistema de arquivos para guardar dados importantes
  • Todo sistema de arquivos sofre fragmentação, em maior ou menor escala

Problema

Os diretórios com grande "tráfego" (isto é, apagamento e criação) de arquivos podem prejudicar muito o desempenho do sistema de arquivos no qual residem, promovendo a fragmentação. São exemplos desse tráfego, no Gentoo: /usr/src/ (one fica o código-fonte do kernel), /var/cache/ (onde fica o cache de ferramentas como CUPS, man, samba etc.), /usr/portage/ (onde reside a árvore do Portage) e /var/tmp/portage (onde o Gentoo faz todas as compilações dos pacotes de programas).

Soluções

Dispositivos de loop são uma forma de você criar uma partição de dados em um único arquivo. Os diretórios /var/cache/, /usr/portage/ e /usr/src/ precisam preservar seu conteúdo depois de reinicializações. Mas o /var/tmp/portage não.

/var/tmp/portage

O conteúdo desse diretório tem muito I/O (entrada e saída, ou seja, gravações e leituras), mas assim que a instalação de um pacote termina, todos os arquivos relativos a este são apagados. Então, façamos como sugere o Gentoo wiki e usemos o sistema de arquivos tmpfs (que usa apenas a memória RAM para guardar dados) para abrigar o /var/tmp/portage/, adicionando a seguinte linha ao arquivo /etc/fstab:

none   /var/tmp/portage   tmpfs   auto,size=2G.nr_inodes=1M   0 0

Mas atenção: dependendo da sua quantidade de memória, essa mudança específica pode acabar sendo prejudicial, pois pode aumentar muito o uso de swap. Confira o wiki do Gentoo para se informar melhor

outros diretórios

Quanto espaço ocupa o /usr/portage/?

bash$ du -sh /usr/portage/
538M    /usr/portage/

Vamos criar um arquivo um pouco maior (pra ter uma folguinha)

bash$ sudo dd if=/dev/zero of=/usr/img.portage bs=1M count=600

Pronto. Criamos um arquivo de 600 MB pra abrigar um diretório que atualmente tem 538 MB. Deve ser suficiente por algum tempo. Agora, vamos formatar esse arquivo com um sistema de arquivos, como se fosse uma partição:

bash$ sudo mkreiserfs -f /usr/img.portage

Agora vamos montar essa nova "partição" como loop device e copiar para ela tudo que está no diretório original:

bash$ sudo mount -t reiserfs -o loop,notail,noatime /usr/img.portage /mnt/floppy
bash$ sudo rsync -av /usr/portage/ /mnt/floppy/
bash$ sudo umount /mnt/floppy/

Não se esqueça das barras no final dos nomes dos diretórios!

Já podemos fazer o mesmo com os outros diretórios.

bash$ sudo du -sh /usr/src/
556M    /usr/src/
bash$ sudo dd if=/dev/zero of=/usr/img.src bs=1M count=1000
bash$ sudo mkreiserfs -f /usr/img.src
bash$ sudo mount -t reiserfs -o loop,notail,noatime /usr/img.src /mnt/floppy/
bash$ sudo rsync -av /usr/src/ /mnt/floppy/
bash$ sudo umount /mnt/floppy/

bash$ sudo du -sh /var/cache/
106M    /var/cache/
bash$ sudo dd if=/dev/zero of=/var/img.cache bs=1M count=100
bash$ sudo mkreiserfs -f /var/img.cache
bash$ sudo mount -t reiserfs -o loop,notail,noatime /var/img.cache /mnt/floppy/
bash$ sudo rsync -av /var/cache/ /mnt/floppy/
bash$ sudo umount /mnt/floppy/

Ao final, basta acrescentar essas informações ao arquivo /etc/fstab para que os arquivos de loop sejam montados automaticamente na inicialização

/usr/img.portage  /usr/portage  reiserfs  loop,auto,noatime  0 0
/usr/img.src      /usr/src      reiserfs  loop,auto,noatime  0 0
/var/img.cache    /var/cache    reiserfs  loop,auto,noatime  0 0

Conclusão

Depois disso, todas as tarefas que envolvem a manipulação desses diretórios ficaram significativamente mais rápidas (benchmarks são bem vindos). :)

Só pra exemplificar, o eix-sync passou a levar só 1 a 2 minutos.

2007-07-08

Kernel novo

Finalmente o Linus Torvalds anunciou a versão 2.6.22 do kernel Linux. Viva!!!

O último a baixar é a mulher do sapo! =)

E isso provavelmente significa que teremos uma coluna Pablo Hess na Linux Magazine 33 falando sobre o novo kernel. Como não deu pra publicar uma sobre o 2.6.21, que teve uma das listas de alterações mais longas de todos os tempos, acho que essa do 2.6.22 vai ser complexa de fazer, e talvez só saiam os itens do 2.6.21 relevantes para o 2.6.22.

Atualizando

O 2.6.22 é que tem a lista mais longa de todos os tempos. E a coluna já está escrita. =)

2007-06-24

Linux num Clevo M660

Descrevo aqui como fiz a instalação e configuração do Gentoo Linux em um notebook Clevo M660.

Por que Linux?

Linux é, hoje em dia, meu sistema operacional preferido. E tem sido nos últimos nove anos. No meu trabalho, uso Linux 100% do tempo, há pelo menos três anos.

O Linux é seguro (nunca tive um vírus no Linux -- nem tampouco me preocupei com isso), veloz (a maioria dos programas rodam nele mais rápido do que no Windows) e flexível (é inacreditável a profundidade das mudanças que se pode fazer num sistema Linux).

Por que um Clevo?

A Clevo é uma das maiores fabricantes mundiais de laptops. No entanto, ninguém nunca ouviu falar nela porque ela é uma ODM (Original Design Manufacturer),

a company which manufactures a product which ultimately will be branded by another firm for sale

Além da MSI, não sei quais empresas remarcam esse mesmo modelo, nem quais os nomes que elas conferem a ele. Mas é uma ótima máquina:

Categoria Item
Processador Intel Core 2 Duo T7200 2.0 GHz -- que bicho rápido!
Memória 1x1GB -- devidamente acrescido de 1x1GB, totalizando 2GB
Northbridge Intel 945GM
Vídeo Intel 945GM/GMS Express (rev 03)
Southbridge Intel ICH-7M
Som Intel HDA, também chamado de Azalia
Rede Realtek 8169 Gb-Ethernet -- tem funcionado tão bem quanto uma Intel
Rede sem fio Intel ipw3945
HD SATA TOSHIBA MK1034GSX 100 GB
LCD 15,4" bastante luminoso, reflexivo como os da HP
USB Infelizmente, só 3 entradas
Firewire / IEEE 1394 1 entrada i.Link®
Expansão 1 ExpressCard 54
Mídia ótica DVD+/-RW mono-layer

O que funcionou de primeira

Processador, HD (SATA AHCI), DVD+/-RW, rede com fio, som.

Ah sim! E por incrível que pareça, as teclas especiais de brilho, (des)ligar o wi-fi e suspend-to-RAM também funcionaram out of the box!

O que não funciona de jeito nenhum

Web-cam :(

Tintim por tintim: os drivers e pacotes necessários

LCD

É necessário instalar o pacote 915resolution (mesmo que o chip gráfico não seja um Intel 915, e sim Intel 945). Isso é porque os chips gráficos da Intel costumam vir com freqüências esquisitas que o Xorg não consegue detectar. O 915resolution corrige isso, alterando a VBIOS a cada boot com a resolução que você passar pra ele.

Modo de uso:

O comando 915resolution -l lista os modos gráficos definidos na VBIOS, a BIOS do chip de vídeo. Note que não há nenhuma linha com o modo suportado pelo LCD:

# 915resolution -l
Intel 800/900 Series VBIOS Hack : version 0.5.3

Chipset: 945GM
BIOS: TYPE 1
Mode Table Offset: $C0000 + $269
Mode Table Entries: 36

Mode 30 : 640x480, 8 bits/pixel
Mode 32 : 800x600, 8 bits/pixel
Mode 34 : 1024x768, 8 bits/pixel
Mode 38 : 1280x1024, 8 bits/pixel
Mode 3a : 1600x1200, 8 bits/pixel
...

O arquivo de configuração do pacote (no Gentoo, /etc/conf.d/915resolution) é bem comentado. Basta acrescentar nele uma linha como:

replace=( "3a 1280 800 32" )

Feito isso, o primeiro comando a seguir carrega o modo na VBIOS, e o segundo lista novamente os modos, agora já com o novo adicionado.

# 915resolution -f /etc/conf.d/915resolution
# 915resolution -l
Mode 30 : 640x480, 8 bits/pixel
Mode 32 : 800x600, 8 bits/pixel
Mode 34 : 1024x768, 8 bits/pixel
Mode 38 : 1280x1024, 8 bits/pixel
Mode 3a : 1280x800, 32 bits/pixel
...

Obviamente tudo já vem pronto pra esse comando ser executado sozinho a cada boot. Em outras palavras, já vem um serviço para ler o arquivo e executar o 915resolution durante o boot.

No Gentoo, insira esse serviço no runlevel default com o comando:

  # rc-update add 915resolution default

Som

O Intel HDA (Azalia) que vem no laptop necessita do módulo snd-hda-intel. Porém, até o kernel 2.6.20, se não me engano, o driver incluído no kernel não conseguia funcionar direito.

Para solucionar, é necessário usar os pacotes alsa-driver1.0.14-rc3 ou mais recente. No meu caso, isso exigiu acrescentar a entrada =media-sound/alsa-driver-1.0.14-rc3 ~x86 ao arquivo /etc/portage/package.keywords, além de seguir o Gentoo Linux ALSA Guide.

Teclas de atalho

Essa parte é realmente incrível. Meu Toshiba anterior exigia a instalação do pacote toshiba-utils, além do carregamento do módulo toshiba-acpi. Esse Clevo aparentemente tem as teclas de função ([Fn]+[Fx]) hardwired, ou seja, [Fn]+[F9] aumenta o brilho em qualquer ponto do carregamento do Linux. O mesmo vale para a tecla de diminuir o brillho, e também pras teclas de ligar e desligar o WiFi, ligar e desligar a câmera embutida e ativar o suspend-to-ram (caso esse recurso esteja ativado no kernel).

As teclas de ajuste do volume precisam da atuação do Gnome, mas o Gnome detecta sozinho a existência delas, e as configura automaticamente. Eu nem precisei tocar nessa configuração!

As teclas de atalho metálicas que ficam "fora" do teclado normal também precisam de configuração manual. As 3 teclas do lado esquerdo (originalmente pra chamar editor de texto, navegador web e leitor de e-mais) geram keycodes específicos, e aí basta usar o setkeycodes mapeá-los para que o Linux consiga usá-los efetivamente:

setkeycodes e001 201 && \
setkeycodes e002 202 && \
setkeycodes e003 203

Eu coloco esses comandos no arquivo /etc/conf.d/local.start, de forma que o sistema mapeia as teclas sozinho a cada boot.

As teclinhas da direita não são difíceis de configurar, e eu consegui facilmente associar as duas lupas (zoom-in e zoom-out) ao efeito de zoom do Compiz. Moleza.

WiFi

Pra mim, a rede sem fio é sempre uma coisa chata de configurar, mesmo que tenha total suporte por parte do Linux. Era chato com o driver madwifi que eu usava no Toshiba, e continua chata (embora menos chata) com o ip23945 desse Clevo.

Pra usar a rede sem fio com o chip ipw3945, é necessário instalar os seguintes pacotes:

  • ipw3945: driver da placa;
  • ipw3945-ucode: microcódigo necessário para que a placa funcione no Linux e
  • ipw3945d: daemon regulador da placa (é, eu também acho isso meio exageradamente complexo).

Mesmo que você não use a criptografia WPA, infinitamente mais segura que WEP, eu recomendo o pacote wpa_supplicant. Se for compilado com USE=qt4 ou USE=qt3, ele instala uma interface gráfica que torna facílima a busca e configuração de redes sem fio nas redondezas.

Mas cuidado para não violar a privacidade de ninguém!

Conclusão

O Clevo M660 é muito legal. O LCD especialmente brilhante e com ótimo contraste contribui muito para o sucesso que ele faz onde quer que eu o leve. Falando em leve, ele pesa "só" 2,6 kg, o que é um peso padrão atualmente, com essa excelente geração de notebooks levíssimos movidos a Centrino. :)

A ventoinha dele poderia ser menos barulhenta. Meu Toshiba anterior, embora tivesse um esquentadíssimo P4-M 2.8GHz, raramente ligava a ventoinha, e quando ligava não fazia quase nenhum barulho. Já o Clevo agüenta sem ventoinha uns 10 minutos, mas depois liga e raramente desliga.

Os atalhos hard-wired são definitivamente um plus. Plusão, eu diria!

O notebook, com um Core 2 Duo 2.0GHz e 100GB de HD, saiu um pouco mais barato do que cobravam em supermercados, Fnac e Fast Shop por notebooks bem inferiores, com Core Duo (nem Core 2 era) 1.6GHz e mais pesados. Ainda estou certo de que foi uma ótima opção.