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Suporte técnico da GVT: ruim na primeira impressão

Meu modem da GVT tem suporte a IPv6. No entanto, ele não recebe um endereço IPv6 da operadora. E eu queria acessar a rede IPv6.

Aqui está a interessante transcrição (só da minha memória) da minha conversa agora há pouco com o suporte técnico da GVT.

- Boa noite, Fulana falando.
- Boa noite. Por favor, eu gostaria de saber se é possível ativar o IPv6 no meu acesso banda larga e se eu preciso pagar alguma coisa por isso.
- Senhor, isso o senhor precisa verificar com o seu consultor, não com a GVT.
- Por quê?
- Quem dá acesso a IPv6 é o Windows. Se o senhor tiver o Windows Vista, aí é IPv6. Se for o Windows 7, aí tem que ver.
- Desculpe, mas a senhora está enganada. Eu trabalho com isso e sei do que estou falando (É tão satisfatório poder dizer isso, né?). Eu gostaria de acessar a Internet por IPv6 e, para isso, a GVT precisa me fornecer conectividade IPv6.
- Senhor, a GVT não oferece suporte a IPv6. (surpreendente como de repente ela sabia do que se tratava, né? Aposto que não sabia.)
- Mas o suporte a IPv6 não era obrigatório a partir de janeiro de 2012? (tá bom, inventei um pouco nesse aspecto de obrigatoriedade, mas o objetivo era forçar um pouco a barra)
- Não tenho esta informação. Nada nos foi passado em treinamentos.
- Bom, está bem então. Obrigado.

E assim terminou.
Puxa vida, assinei a GVT com tanto gosto, justamente em virtude dos ótimos relatos que sempre ouvi sobre o respeito que a empresa tem pelos clientes. Não achei esse suporte satisfatório.

Ah, esse facebook...


A nação que eliminou a corrupção

Diz a lenda que havia no mundo uma nação muito exaltada por sua musicalidade, sua criatividade, suas belezas naturais e pela hospitalidade de seu povo. Essa mesma nação era também conhecida por sua intensa violência crônica e, sobretudo, pela corrupção de sua classe política.

Curiosamente, a lenda também conta que foi a violência que acabou com a corrupção. Certo dia, um dos cidadãos violentos dessa nação, profissional do ramo da execução por encomenda, descobriu uma nova forma de erradicar a corrupção: eliminando os políticos corruptos e seus respectivos corruptores. Contudo, havia dois entraves no caminho: o serviço desse profissional era caro, pois tratava-se de um dos melhores do ramo, e o número de corruptos e corruptores era assombroso.

Felizmente para o povo, o mesmo cidadão tão violento era igualmente inteligente. Maquinou um plano chamado por muitos de "surpreendentemente simples, economicamente viável e psicologicamente adequado" para eliminar os maiores inimigos do progresso de sua nação: criou um "Fundo de Erradicação da Corrupção". Nesse fundo, cidadãos de todo o território nacional podiam depositar a quantia que desejassem a fim de alcançar os altos valores cobrados pelo profissional violento e inteligente para executar seu serviço correcional.

Como a corrupção era um fenômeno absolutamente descarado e nada se fazia para escondê-la, foi bastante fácil compilar a lista dos principais corruptos e corruptores.

O sistema de doações voluntárias também resolvia o problema psicológico da execução de seres humanos: os doadores do FEC, como foi abreviado o fundo, evitavam sujar as mãos e também a consciência, pois eram agentes apenas indiretos das execuções.

O primeiro saque do fundo deu cabo do personagem ativo há mais tempo na cena da política corrupta. Belo cartão de visita do atirador-empreendedor. Aprovada e aplaudida pela população, a execução rendeu tantas doações ao FEC que em pouco tempo havia recursos suficientes para finalizar outros dois líderes da lista CC (corruptos & corruptores). Com a ausência dessas três figuras tão importantes no cenário político nacional, os três poderes decretaram recesso e paralisaram suas ações. Porém, o novo quarto poder ("executor", como ficou conhecido) logo indicou que não era isso que a população esperava de seus supostos representantes: o próximo da lista sofreu um estranho acidente de avião.

Ninguém sabia ainda quem era o cidadão-atirador-empreendedor, mas já se falava em elegê-lo ao cargo máximo. Ainda anônimo, ele respondeu que não tinha aspirações políticas: "Quero apenas fazer meu trabalho e ganhar um dinheiro honesto. Talvez abrir um restaurante ou uma fundação com a renda desses serviços.". Grande profissional.

Quanto à política e os políticos, o poder executor conseguiu levar a nação para o caminho da democracia. Movidos pelo medo, integrantes dos três poderes tradicionais passaram a trabalhar em prol da nação. Com a redução que "benevolentemente" fizeram em seus próprios gastos, conseguiram melhorar rapidamente a qualidade da saúde e da educação, dos transportes e da previdência, do planejamento e até do turismo.

O cidadão-atirador-empreendedor permanece incógnito; dizem que se aposentou e abriu um restaurante ou criou uma fundação. O fato é que, vez por outra, quando os políticos ameaçam fazer corpo mole, ele -- ou um de seus inúmeros admiradores -- faz questão de cravar seus cartões de visita em portas de carro, paredes e travesseiros bem próximos às cabeças certas, como que dando a elas uma chance.

Atualmente, essa nação praticamente erradicou a corrupção. É próspera e oferece alta qualidade de vida a seus cidadãos, que, mesmo sem as desgraças que os assolavam, permanecem extremamente musicais, criativos e hospitaleiros, além de continuarem em um território, dizem seus criativos músicos, bonito por natureza.

Tux na cozinha

No último sábado, quando voltava de viagem, fui surpreendido pela presença do famoso pinguim Tux, mascote do nosso amado Linux, em um item em nada relacionado com computadores.

Enquanto esperava meu táxi na saída do terminal 1 do aeroporto de Guarulhos, SP, vi uma senhora perambulando para lá e para cá numa cadeira de rodas. Ela parecia esforçar-se muito para mover a própria cadeira, então ofereci uma mãozinha: "A senhora quer ajuda?".

A resposta foi um pouco inesperada devido à minha solicitude ter sido, na verdade, a mordida na isca lançada pela oportunista senhor: "Ah, meu filho, não preciso não, mas você sabe, eu preciso me sustentar e é muito difícil, então eu estou vendendo esses panos de prato que eu mesma faço, sabe, (...)".

Entre os panos de prato, um me chamou atenção: tinha várias imagens do Tux, imagine só!

Como dizia aquele personagem, "comprei-o-o" da tagarelante senhora. Eu disse: "Vou levar este do pinguim, porque gosto muito de pinguins". E ela: "Ah sim, esse aí é a família inteira; o pai, a mãe e os três filhinhos".

Taí a relíquia


Os pinguins não são bordados, evidentemente, mas estampados com o método mais comum. Confira neste detalhe em maior resolução:

Agora tenho um tux na cozinha também. E esse é totalmente exclusivo!

Orgulho editorial

Desde que eu entrei na Linux New Media (do Brasil), em julho de 2006, acho que tenho melhorado profissionalmente. Não tenho tantos artigos técnicos de minha autoria quanto eu achei que teria depois de 2 anos e meio – afinal, não dá tempo pra editar e escrever tantos artigos.

Mas a seção fixa que eu escrevo me dá muito orgulho, porque acho que quando estou inspirado eu escrevo bons textos. Então, pra promover a Linux Magazine, este blog e eu mesmo (:D), aqui vão meus oito editoriais preferidos:

  1. Em Compreensão formal (LM 35), terminou a série de editoriais em tom de reclamação sobre a comunidade de desenvolvedores do Software Livre (iniciados na LM 32). Nele, declarei minha posição contra a polêmica apropriação dos drivers ath5k por essa comunidade sob a GPL, após sua criação sob a licença BSD. Achei a apropriação imoral, e ainda a julgo ilegal, apesar de ninguém ter perguntado e da minha opinião não ser de forma alguma relevante.
  2. Em Coerência e coesão (LM 33), fui novamente corajoso e critiquei a atitude de vários usuários e desenvolvedores contrários à cobrança de dinheiro para implantação e desenvolvimento de soluções livres.
  3. Em Comunidade como valor (LM 47), falei da importância crescente da comunidade para as empresas envolvidas com o Código Aberto. O surgimento do cargo de “community manager” é, pra mim, o maior exemplo dessa importância.
  4. Em As velhas falácias (LM 45), falei sobre a crença muito difundida de que o Windows é mais invadido do que o Linux por ser mais usado, e não por ser muito mais vulnerável. Gostei desse por acreditar de fato que o texto poderia ajudar profissionais Linux.
  5. Em Novos modelos
  6. (LM 46), o assunto foi o anúncio da IBM de que produziria desktops “Microsoft-free”. Embora parecesse um ato de suposto boicote aos softwares da Microsoft, o objetivo real da IBM era e ainda é usar o Linux como plataforma de difusão de sua suíte Lotus. O surpreendente, pra mim, foi ver que o mercado demorou pra perceber essa oportunidade de ouro!
  7. Em Um bom motivo (LM 32), reuni coragem para criticar a atitude de usuários e desenvolvedores Linux e citei uma colocação muito bem feita de Theo de Raadt: “Quem usa Linux o faz porque odeia o Windows, quem usa BSD o faz porque ama o Unix”. Por um lado essa frase sugere que nosso mundo é cheio de ódio (há muito mais pessoas que odeiam o Windows do que pessoas que amam o Unix, aparentemente). O bom motivo que serviu de titulo ao editorial foi a discussão sobre a GPLv3, então ainda em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que a Microsoft distribuía acordos com distribuidores Linux importantes e nem tanto.
  8. Em A vez do marketing (LM 40), propus uma abordagem colaborativa para o marketing dos sistemas Linux. Esse assunto ainda é do meu interesse mais profundo, e acho realmente que o marketing é uma das próximas áreas a serem agraciadas com as inúmeras vantagens da colaboração.
  9. O primeiro colocado na minha lista pessoal de editoriais mais significativos é o Idiomas e sistemas (LM 30), escrito às 3 da manhã antes de um Linux Park. Nele, eu falo sobre como o uso de um computador se assemelha ao uso da linguagem oral, com os diferentes sistemas operacionais representado os vários idiomas. Eu defendo o ensino do Linux nas escolas, da mesma forma que defendo o ensino do inglês nas escolas brasileiras (e outros idiomas seriam ainda mais positivos para nossas crianças). No caso dos sistemas, se o aluno já vai aprender o Windows fora da escola mesmo (todo mundo usa Windows no momento, certo?), que tal torná-lo “poliglota” e ensinar-lhe um sistema diferente e potencialmente muito útil na escola?

E você? Qual é o seu editorial preferido na Linux Magazine?